FARÓIS

FAROL DE VILA REAL DE SANTO ANTÓNIO

Contemplado no plano de Alumiamento e Balizagem de 1883, o farol de Vila Real de Santo António deveria ser de 2ª ordem, com luz distribuída em clarões agrupados dois a dois e alcance de 25,5 milhas.
No que ao edificio respeita, previa-se uma torre cilíndrica de betão hidraúlico com 34 metros de altura, sendo as fundações feitas a 6 metros de profundidade, de forma a evitar os efeitos perniciosos que os movimentos da areia pudessem provocar na estrutura.

O projecto de António Lourenço da Silveira, datado de 1885, antevia o emprego nas fundações de pedra extraída das margens do rio nas próximidades de Vila Real de Santo António e de pedra calcária vinda de Tavira para a restante alvenaria; o tijolo viria de Castro Marim e cal de Tavira ou Cacela. A Lisboa recorrer-se-ia apenas para as madeiras de casquinha e pitch-pine. O orçamento para a construção de todo o edifício era de 25 contos e 500 mil reís.
Tal projecto não teve consequências práticas e na primeira década do século XX seria elaborado outro, pelo engenheiro José Joaquim Peres, que advogava o emprego de cimento armado, eliminando-se deste modo a construção de fundações caras.
Tendo o Ministério da Marinha obtido em 1916 licença para se proceder á sua construção, esta terminaria em 1923.
Segundo o Aviso aos Navegantes de 19 de Dezembro de 1922, tratava-se de uma torre circular de cimento armado, de cor branca, com listas horizontais escuras, dispondo de anexos de dois pavimentos, para habitação dos faroleiros, depósitos de material e demais fins.

A torre, de 40 metros de altura, era encimada por uma laterna de cor vermelha que alojava um aparelho lenticular de 3ª ordem, grande modelo, de rotação, obtida esta por meio de um macanismo de relojoaria. Tendo como fonte luminosa a incandescência pelo vapor de petróleo, o seu alcance luminoso calcula-se em 33 milhas. Durante algum tempo, a partir de junho de 1927, começou a funcionar nos dois primeiros dias dos meses ímpares a petróleo, nos dois primeiros dias ndos meses pares a incandescência pelo vapor de petróleo e a incandescência eléctrica nos
restantes dias de todos os meses. Julga-se que este insólito modo de funcionamento tivesse em vista a comparação dos resultados obtidos com as diferentes fontes luminosas.


Ligado à rede de distribuição pública de energia eléctrica em 1947, viu a máquina de relojoaria que movimentava o aparelho substituída por motores de rotação; em 1950 foram-lhe instalados vários sistemas de alarmes automáticos sonoros e luminosos, a exemplo do que pouco antes se fizera em Aveiro, no cabo da Roca e no cabo de Santa maria. Dez anos mais tarde recebeu o ascensor para acesso á lanterna.
Em 1983 a velha lâmpada de incandescência de 3000 watts foi substituida por outra de halogéneos de 1000 watts. Foi automatizado em 1989.

Autor: J.Teixeira de Aguilar.

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