RECORDAÇÕES DO SHIPPING

MV ” HERSILIA “
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Inicio a partir de hoje uma nova rúbrica intitulada Recordações do Shipping.

Quero agradecer ao meu Amigo e Grande Entusiasta do Shipping: António Tavares, o contributo que ele vai dar ao meu blogue, com o envio de fotos e não só… a sua preciosa colecção ligada á nossa ARTE o SHIPPING.

Quero dizer ao Amigo António Tavares, que a maior felicidade do homem é poder partilhar – e nunca pedir…é o que o António Tavares está a fazer com todos os amantes do Shipping.

Ao António Tavares o meu (nosso) agradecimento por partilhar com todos nós as suas Recordações do shipping.

Passando directamente á foto acima publicada, o seu autor dirige-nos apenas duas perguntas:

1º – ONDE FOI QUE SE DEU ESTE ACIDENTE?

2º – O REFERIDO NAVIO FOI POSTO A NAVEGAR OU NÃO?

Como Habitualmente o faço, favor comentem.

(©) Images and text Copyrights; Imagem e texto com direitos: António Tavares

14 Respostas to “RECORDAÇÕES DO SHIPPING”

  1. Rui Amaro Says:

    Caros “shiplovers” José Modesto e António Tavares
    Ai vai o relato do acidente do vapor HERSILIA naufragado na barra do Porto em 15/11/1911 conduzido pelo prático Manuel de Oliveira Alegre, meu tio-avô. Este episódio que também muito resumidamente está postado no meu blogue NAVIOS Á VISTA (07/04/2008), em devido tempo irá ser postado mais desenvolvido no meu blogue O PILOTO PRÁTICO DO DOURO E LEIXÕES, é também um dos episódios do meu livro A BARRA DA MORTE – A FOZ DO RIO DOURO, publicado em Abril de 2007 pela editora O PROGRESO DA FOZ.
    “O HERSILIA, 90m/2.028tb, fora construído em 1901 pelo estaleiro Akt. Ges. Neptun, Rostock, para o armador Dampschiffs Rhederei Horn Akt. Ges.,(Horn Linie), Lubeck, que o colocou no tráfego carvoeiro, vindo consignado aos agentes J. W. Burmester & Ca., Lda. e saíra do porto de Emden a 01.11.1911, transportando 3.250 toneladas de carvão destinados à CP – Companhia dos Caminhos-de-Ferro Portugueses. Porém devido ao seu excessivo calado de 19 pés, foi impedido de entrar no rio Douro, pelo que no dia 10 demandou a bacia do porto de Leixões, a fim de ser aliviado de 900 toneladas de carvão, visto a barra do Douro, naquela ocasião, só permitir calados no máximo de 16 pés.
    Na manhã do dia 15, pelas 08h30, o vapor HERSILIA deixou o porto de Leixões rumando ao rio Douro mas atendendo a alguma vaga e até porque a barra estava muito apertada e com águas de cima, além de algum escarcéu, o rebocador MINHO, propriedade dos agentes do vapor, pegou à proa, a fim de auxiliar a manobra de entrada até às bóias dos Arribadouros.
    Cerca das 09h00, quando já ultrapassada a bóia da barra, o vapor guinou, perigosamente para estibordo, e, apesar de todos os esforços do rebocador, foi o mesmo incapaz de levar o vapor para o canal, pelo que o piloto Manuel de Oliveira Alegre, vendo o risco do navio ir sobre a restinga do Cabedelo mandou largar o ferro de bombordo e máquina toda força à ré, a fim de aguentar a estocada, o que de nada lhe valeu, indo o vapor atravessado encalhar, profundamente nas areias daquela malfadada restinga, com falha da máquina, devido ao esforço feito para entrar no canal de navegabilidade.
    Da Cantareira, seguiu para o local do encalhe o salva-vidas da Foz, sob as ordens do piloto Amaro António da Fonseca e do patrão Manuel Ferreira Nunes, tendo com bastante dificuldade estabelecido cabos para o rebocador ÁGUIA, entretanto chegado em socorro do vapor sinistrado e, apesar das várias tentativas de desencalhe realizadas até à preia-mar, acabaram por infrutíferas, pelo que os bombeiros montaram e estabeleceram às 11.45 um cabo de vaivém, no qual foram resgatados o piloto da barra e os 19 tripulantes, incluindo o comandante Bellmann. Todos eles trouxeram para terra as suas roupas e objectos de uso pessoal, tais como binóculos, sextantes, livros, fotografias, etc. tendo o seu comandante tido o cuidado de deixar o vapor com as caldeiras apagadas e não se notavam indícios de estar arrombado, visto não ter embatido nas pedras, pelo que em ocasiões de maresia seria muito possível, que viesse a flutuar e assim aconteceu porque mudou de posição por várias vezes, tendo em algumas ocasiões impedido o normal movimento de navegação na barra. O vapor acabou por ser vandalizado e julgamos, que mais tarde foi destruído pela acção demolidora da forte maresia. Dizia-se, que um certo dia a sirene do vapor, que fora furtada por intrusos, ouvia-se a apitar numa fábrica para os lados da Afurada”.
    Eu não só sou entusiasta de temas do “shipping” como do “ship passion”, que é um pouco diferente..
    Abraço aos dois, particularmente ao António Tavares, da “velha guarda” e um grande apaixonado por navios e navegação.
    Saudações marítimo-entusiásticas
    Rui Amaro – Foz do Douro

  2. Rui Amaro Says:

    Caros “shiplovers” José Modesto e António Tavares
    Ai vai o relato do acidente do vapor HERSILIA naufragado na barra do Porto em 15/11/1911 conduzido pelo prático Manuel de Oliveira Alegre, meu tio-avô. Este episódio que também muito resumidamente está postado no meu blogue NAVIOS Á VISTA (07/04/2008), em devido tempo irá ser postado mais desenvolvido no meu blogue O PILOTO PRÁTICO DO DOURO E LEIXÕES, é também um dos episódios do meu livro A BARRA DA MORTE – A FOZ DO RIO DOURO, publicado em Abril de 2007 pela editora O PROGRESO DA FOZ.
    “O HERSILIA, 90m/2.028tb, fora construído em 1901 pelo estaleiro Akt. Ges. Neptun, Rostock, para o armador Dampschiffs Rhederei Horn Akt. Ges.,(Horn Linie), Lubeck, que o colocou no tráfego carvoeiro, vindo consignado aos agentes J. W. Burmester & Ca., Lda. e saíra do porto de Emden a 01.11.1911, transportando 3.250 toneladas de carvão destinados à CP – Companhia dos Caminhos-de-Ferro Portugueses. Porém devido ao seu excessivo calado de 19 pés, foi impedido de entrar no rio Douro, pelo que no dia 10 demandou a bacia do porto de Leixões, a fim de ser aliviado de 900 toneladas de carvão, visto a barra do Douro, naquela ocasião, só permitir calados no máximo de 16 pés.
    Na manhã do dia 15, pelas 08h30, o vapor HERSILIA deixou o porto de Leixões rumando ao rio Douro mas atendendo a alguma vaga e até porque a barra estava muito apertada e com águas de cima, além de algum escarcéu, o rebocador MINHO, propriedade dos agentes do vapor, pegou à proa, a fim de auxiliar a manobra de entrada até às bóias dos Arribadouros.
    Cerca das 09h00, quando já ultrapassada a bóia da barra, o vapor guinou, perigosamente para estibordo, e, apesar de todos os esforços do rebocador, foi o mesmo incapaz de levar o vapor para o canal, pelo que o piloto Manuel de Oliveira Alegre, vendo o risco do navio ir sobre a restinga do Cabedelo mandou largar o ferro de bombordo e máquina toda força à ré, a fim de aguentar a estocada, o que de nada lhe valeu, indo o vapor atravessado encalhar, profundamente nas areias daquela malfadada restinga, com falha da máquina, devido ao esforço feito para entrar no canal de navegabilidade.
    Da Cantareira, seguiu para o local do encalhe o salva-vidas da Foz, sob as ordens do piloto Amaro António da Fonseca e do patrão Manuel Ferreira Nunes, tendo com bastante dificuldade estabelecido cabos para o rebocador ÁGUIA, entretanto chegado em socorro do vapor sinistrado e, apesar das várias tentativas de desencalhe realizadas até à preia-mar, acabaram por infrutíferas, pelo que os bombeiros montaram e estabeleceram às 11.45 um cabo de vaivém, no qual foram resgatados o piloto da barra e os 19 tripulantes, incluindo o comandante Bellmann. Todos eles trouxeram para terra as suas roupas e objectos de uso pessoal, tais como binóculos, sextantes, livros, fotografias, etc. tendo o seu comandante tido o cuidado de deixar o vapor com as caldeiras apagadas e não se notavam indícios de estar arrombado, visto não ter embatido nas pedras, pelo que em ocasiões de maresia seria muito possível, que viesse a flutuar e assim aconteceu porque mudou de posição por várias vezes, tendo em algumas ocasiões impedido o normal movimento de navegação na barra. O vapor acabou por ser vandalizado e julgamos, que mais tarde foi destruído pela acção demolidora da forte maresia. Dizia-se, que um certo dia a sirene do vapor, que fora furtada por intrusos, ouvia-se a apitar numa fábrica para os lados da Afurada”.
    Eu não só sou entusiasta de temas do “shipping” como do “ship passion”, que é um pouco diferente..
    Abraço aos dois, particularmente ao António Tavares, da “velha guarda” e um grande apaixonado por navios e navegação.
    Saudações marítimo-entusiásticas
    Rui Amaro – Foz do Douro

  3. reimar Says:

    Caro amigo,
    Como é normal nestas circunstâncias, não consigo dizer melhor que o Rui Amaro. Afinal este e tantos outros naufrágios que ocorreram na barra do Douro, aconteceram quase em frente à sua residência, o que equivale dizer que ele esteve lá.
    O que ele me disse particularmente e se esqueceu de referir, é que o navio acabou atravessado sobre o canal de navegação, situação entretanto resolvida com petardos de dinamite, para que o porto pudesse dar entrada e saída aos navios.
    Um grande abraço, Reimar

  4. reimar Says:

    Caro amigo,
    Como é normal nestas circunstâncias, não consigo dizer melhor que o Rui Amaro. Afinal este e tantos outros naufrágios que ocorreram na barra do Douro, aconteceram quase em frente à sua residência, o que equivale dizer que ele esteve lá.
    O que ele me disse particularmente e se esqueceu de referir, é que o navio acabou atravessado sobre o canal de navegação, situação entretanto resolvida com petardos de dinamite, para que o porto pudesse dar entrada e saída aos navios.
    Um grande abraço, Reimar

  5. leixão Says:

    Devo confessar que a minha ignorância fica maravilhada com o interesse destas histórias e a devoção e sabedoria de quem as conhece.

    Um abraço

  6. leixão Says:

    Devo confessar que a minha ignorância fica maravilhada com o interesse destas histórias e a devoção e sabedoria de quem as conhece.

    Um abraço

  7. JOSÉ MODESTO Says:

    Meus caros Amigos e comentadores do meu blogue, fiquei completamente esclarecido, bem como os nossos leitores.
    Acrescento aos meus colegas e mestres nesta área o seguinte (após pesquisa bibliotecária), na devida altura ainda tentaram esperar pela colaboração do Salvadego Alemão "Newa" e um outro que se veio juntar de nome "Finisterre", ambos tentaram puxar o navio em conjunto, mas o cabo do Finisterre rebentou, não conseguiram. Finalizo com um pormenor, na altura o Departamento Marítimo reuniu com os representantes das (casas) nome que na altura era comum se dar ás agências de navegação e a reunião foi entre: JERVELL & KNUDSEN (representante dos salvadegos) e J.W.BURMESTER agente do navio.

    Agradeço aos Amigos Rui Amaro,Reinaldo e leixão os seus comentários, agradeço todas as explicações pormonorizadas sobre este acidente e espero que o Amigo Tavares tenha ficado satisfeito com elas.

    Parabéns a todos….sabemos um pouco mais

    Saudações Marítimas
    José Modesto

  8. JOSÉ MODESTO Says:

    Meus caros Amigos e comentadores do meu blogue, fiquei completamente esclarecido, bem como os nossos leitores.
    Acrescento aos meus colegas e mestres nesta área o seguinte (após pesquisa bibliotecária), na devida altura ainda tentaram esperar pela colaboração do Salvadego Alemão "Newa" e um outro que se veio juntar de nome "Finisterre", ambos tentaram puxar o navio em conjunto, mas o cabo do Finisterre rebentou, não conseguiram. Finalizo com um pormenor, na altura o Departamento Marítimo reuniu com os representantes das (casas) nome que na altura era comum se dar ás agências de navegação e a reunião foi entre: JERVELL & KNUDSEN (representante dos salvadegos) e J.W.BURMESTER agente do navio.

    Agradeço aos Amigos Rui Amaro,Reinaldo e leixão os seus comentários, agradeço todas as explicações pormonorizadas sobre este acidente e espero que o Amigo Tavares tenha ficado satisfeito com elas.

    Parabéns a todos….sabemos um pouco mais

    Saudações Marítimas
    José Modesto

  9. Rui Amaro Says:

    O meu comentário sobre acidente do HERSILIA apesar de extenso, ainda é muito resumido. Mais desenvolvido e possivelmente com novos pormenores será postado no meu blogue O PILOTO PRÁTICO DO DOURO E LEIXÕES, em devido tempo, porque ainda vou postar outros casos de interesse, dentre os quais a tragédia do DEISTER, LAURINDA, acidentes do STAHLECK, INGA l, GAUSS e as várias situações aflitivas que os pilotos e os mareantes dos portos do Douro e Leixões se viam envolvidos.
    Até lá, há que aguardar!
    Abraços
    Saudações maritimo-entusiásticas
    Rui Amaro

  10. Rui Amaro Says:

    O meu comentário sobre acidente do HERSILIA apesar de extenso, ainda é muito resumido. Mais desenvolvido e possivelmente com novos pormenores será postado no meu blogue O PILOTO PRÁTICO DO DOURO E LEIXÕES, em devido tempo, porque ainda vou postar outros casos de interesse, dentre os quais a tragédia do DEISTER, LAURINDA, acidentes do STAHLECK, INGA l, GAUSS e as várias situações aflitivas que os pilotos e os mareantes dos portos do Douro e Leixões se viam envolvidos.
    Até lá, há que aguardar!
    Abraços
    Saudações maritimo-entusiásticas
    Rui Amaro

  11. LUIS MIGUEL CORREIA Says:

    Depois de comentários com informações tão completas nada tenho a acrescentar, senão agradecer toda a partilha de informações e imagens e enviar cumprimentos

  12. LUIS MIGUEL CORREIA Says:

    Depois de comentários com informações tão completas nada tenho a acrescentar, senão agradecer toda a partilha de informações e imagens e enviar cumprimentos

  13. JOSÉ MODESTO Says:

    Amigo Luís Correia.
    Fico-lhe agradecido pelo seu primeiro comentário no meu blogue.
    De facto com todos vós estamos sempre a aprender.

    Uma vez mais Obrigado pela fonte de informação que encontro nos seus blogues, eles são uma mais valia para todos aqueles que abraçam a nossa ARTE o Shipping.

    Saudações Marítimas
    José Modesto

  14. JOSÉ MODESTO Says:

    Amigo Luís Correia.
    Fico-lhe agradecido pelo seu primeiro comentário no meu blogue.
    De facto com todos vós estamos sempre a aprender.

    Uma vez mais Obrigado pela fonte de informação que encontro nos seus blogues, eles são uma mais valia para todos aqueles que abraçam a nossa ARTE o Shipping.

    Saudações Marítimas
    José Modesto

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